Quem foi Jezebel?

Jezebel foi uma mulher (de origem fenícia, segundo a Bíblia), filha de Etbaal, rei de Sidom, e adoradora do Baal, Astarte, e Aserá, que mediante acordo político foi dada em casamento ao Rei de Acabe, de Israel. Ela e seu marido reinaram numa época em que o antigo reino israelita estava dividido em duas partes rivais: Judá, no sul, cuja capital era Jerusalém e cujo povo deu origem aos atuais judeus; e Israel, no norte, onde o casal governava e cuja capital era Samaria.

Alguns estudos antropológicos também afirmam que Jezabel era uma importante sacerdotisa da sua religião na região que conhecemos como Fenícia.

Em 2007 um artefato, obtido nos anos 1960 por um arqueólogo israelense no mercado de antiguidades, foi identificado pertencente a Jezebel. O “sinete (uma espécie de carimbo pessoal)”que é feito de opala e está repleto de desenhos e inscrições, mostra que a rainha de fato era muito influente: ele era usado para ratificar documentos, o que significa que ela podia “despachar” por conta própria em seu palácio.

Esfinge e outros sinais do sinete da rainha indicam alta posição e prestígio (Foto: Universidade de Utrecht/Divulgação)

No entanto Jezabel é comumente conhecida por estigmatizações de seus feitos que a aprisionam numa imagem feminina abominável( na lógica judaico/cristã): uma mulher infiel a Deus, prostituta e insubmissa . E é isso que a torna uma personagem desafiadora, encantadora e complexa.

Pelos relatos bíblicos ela era princesa dos sidônios que se casou com o rei Acabe tornando-se assim Rainha. Esse casamento ocorreu como um tipo de compensação pela hostilidade de Damasco contra Israel, num acordo promovido por Onri, pai de Acabe, para reafirmar uma aliança entre Tiro e Israel (cerca de 880 a.C.). A rainha Jezabel ficou conhecida principalmente por ser uma mulher má e perversa que perseguiu os profetas do Senhor e trouxe a idolatria para dentro de Israel.

Jezabel foi uma devota de Baal-Melcarte, o deus cultuado na Fenícia. Quando casou-se com Acabe, foi feito um tratado para que ela pudesse continuar adorando o seu deus nativo também em Samaria, seu novo lar. A narrativa bíblica mostra que ela exercia forte influência sobre Acabe, pois o rei permitia que Jezabel agisse conforme desejasse. Sua principal exigência era que seu Deus tivesse os mesmos direitos do Deus de Israel perante o povo. Ela teve três filhos com o rei de Israel: Acazias, Jorão e Atalia. Ela instruiu seus filhos de acordo com suas práticas.

Num dos episódios mais conhecidos da Bíblia,o profeta Elias a fim de provar quem era o verdadeiro Deus protagonizou uma espécie de “concurso religioso” levado a cabo no Monte Carmelo, Elias derrotou todos os profetas de Baal, que morreram, pretendendo desta forma mostrar como o Deus de Israel era a única divindade. Jezabel quando soube disto ficou furiosa, e mandou matar Elias, que teve fugir para Judá.

Depois que Acabe morreu em uma batalha, Jezabel continuou tendo grande poder e influência em Israel durante os reinados de seus filhos Acazias e Jorão. Mas, Jeú, um oficial do exército, assassinou Jorão,” limpou a casa de Acabe” e ascendeu ao trono. Jeú erradicou o culto a Baal em Israel.

Após ter matado Jorão, Jeú se dirigiu ao palácio em Jezreel. No palácio, Jezabel estava vestida esplendorosamente esperando por Jeú com a intenção de afrontá-lo. Então Jeú deu ordens para que oficiais a lançassem pela janela da torre do palácio. Depois de ter feito uma refeição, Jeú ordenou que seus homens sepultassem Jezabel, pois ela era filha de rei. É interessante perceber pela narrativa bíblica que Jeú não lhe atribuiu o título de “rainha de Israel”, mas apenas se referiu a ela como “filha de rei”, por ter sido filha de Etbaal, o rei sidônico.

Mas quando foram sepulta-la, os homens de Jeú encontraram apenas seu crânio, seus pés e suas mãos. Sua carne havia sido devorada por cães.

O nome “Jezabel” também aparece no livro do Apocalipse, na carta à igreja de Tiatira. A designação “essa mulher, Jezabel” refere-se à certa pessoa autointitulada profetisa, que ensina e promove a imoralidade e a idolatria.

Jezebel foi leal à sua fé, responsável por suas escolhas e decisões. Era obstinada. Ela fazia valer seu direito legítimo de governo. De fato, Jezabel é o arquétipo feminino que gera desconfortos em homens e mulheres que sustentam o machismo e o patriarcado como estilo de vida privilegiado.

Mulheres que são líderes, clérigas, educadoras, intelectuais, professoras, vereadoras, deputadas, empresárias entre tantas outras ocupações de poder, têm seus lugares questionados por defenderem suas posições e aos que representam. Vejamos: depreciada por ser estrangeira e guardar sua prática de fé e costumes. Depois, perseguida por líderes religiosos que desejam a retirada de seu poder pelas medidas políticas contrárias aos fundamentos da fé hegemônica daquele Estado. E, por fim, seu assassinato a sangue frio por um chefe de exército que, num golpe militar, invade sua moradia e joga-a pela janela rumo à morte.

A maneira com que sua persona é explorada, mostra claramente uma uma campanha cultural machista que visa amedrontar mulheres que não temem o exercício  do poder. Estamos, então de fato diante de mais um relato de ódio contra uma mulher pelo fato único de ser ela mesma.

Jezebel será um espaço aberto para todos que desejam ser ouvidos.Uma forma de legitimar a Rainha Jezebel, também legitimar outras pessoas que tiveram e ainda a coragem e a ousadia de serem elas mesmas. De lutar pelos seus direitos, suas crenças, seu povo …

Algumas pessoas são conhecidas, outras não. Algumas viveram em outros tempos, em outros países…

Essa pessoa pode estar no seu lado… ou até mesmo ser a imagem que você vê no espelho a cada amanhecer…

Conte-nos sua historia. Será um prazer publica-la.

Envie um email para jezebel@themonia.com

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